quinta-feira, 18 de junho de 2015

Respostas.

Eu vi ela crescer, era uma menininha muito mais nova do que eu, de repente ela tinha seus 15/16 anos (continuava sendo muito mais nova do que eu), mas ela estava linda! Ela não era do tipo princesinha, na verdade ela era praticamente um moleque. Ela me fazia rir da mesma maneira que os meus amigos faziam, ela falava besteira, era desajeitada, desastrada e cara de pau, de vez em quando ela ficava com vergonha e me olhava sem jeito, com aquelas bochechas vermelhas que só ela tem.
Um dia eu me peguei pensando nela... do nada! E já fiz questão de pensar em outra coisa. Outro dia eu me vi conversando na internet com ela até as 2h da manhã e já tratei de dar boa noite. Eu tentava fugir, mas de repente estava lá de novo. Um dia eu encontrei ela no mercado, senti um negócio diferente, pensei em me repreender, mas ela fez uma piadinha, me olhou de baixo pra cima, com um sorrisinho pequeno e na mesma hora eu parei de pensar, conversamos, rimos, tiramos sarro um do outro e entre uma risada e outra, ela me olhava daquele jeito, eu tentava voltar a pensar, mas não conseguia. Depois de um bom tempo conversando, esqueci do mundo ao meu redor, respirei fundo e deixei rolar, o que não deveria acontecer, mas foi sensacional, seria loucura me arrepender. No mesmo dia, deitei na cama antes de dormir me sentindo ótimo, porém lá no fundo algo me chamava de inconsequente. Mesmo assim, liguei no dia seguinte, nos vimos despretensiosamente de novo e de novo, de novo, de novo... Quando ela estava perto era tudo muito bom, só que eu não conseguia parar de me sentir errado. Não sabia como resolver, então sumi. Não liguei mais, não dei mais notícias e nem chamei na internet. Comecei a procurar uma menina que fosse pra namorar, que eu não precisasse me preocupar com o que iam pensar, daquelas que eu pudesse me exibir e andar de mãos dadas na rua sentindo orgulho, daquelas do tipo princesinha. E eu encontrei e deixei minha molequinha de lado, que logo encontrou alguém que a assumiu e fez por ela tudo o que eu não podia fazer.  Meu relacionamento não deu certo e nem os que vieram depois. Enquanto eu procurava solução para o que nem era problema, ela tava lá, solteira de novo, cada vez mais cheia de amigos e histórias pra contar, saía todo fim de semana, chegava em casa de manhã, se divertia e continuava sendo o mesmo moleque de sempre, nos encontramos outras vezes entre idas, vindas e voltas que a vida dá. Muita coisa mudou, muita coisa aconteceu, mas quando éramos eu e ela, tudo voltava a ser como no início, as risadas, as gracinhas, o negócio estranho dentro do peito e aquele sentimento de inconsequência. O tempo passou e a minha menininha se formou antes que eu, tinha um emprego sério e era respeitada. Entre um encontro e outro, o mundo girava rápido demais e causava desencontros, desenganos e desnecessidades. Numa dessas revelias do universo, nos encontramos novamente, ela já não sentia mais tudo aquilo, ela já estava cansada dos meus sumiços, eu já tinha perdido a graça pra ela, mesmo assim ela considerou nossa história e deixou rolar e então eu me dei conta do óbvio, eu não precisava de uma princesa, eu não queria uma princesa, pra começar eu nem sou um príncipe, to sempre duro, ando largado e sou problemático, nunca ia dar certo com uma princesinha, na verdade eu precisava dela, do sorriso dela, do sorriso que ela causava em mim, das piadinhas e idiotices dela, resolvi fazer tudo o que ela esperou que eu fizesse esses anos todos, respondi todas as perguntas que eu mesmo plantei nela, abri meu coração, me dediquei, mas era tarde demais, a minha menininha já não era mais menininha e muito menos "minha".

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