sábado, 18 de abril de 2020

Bilhete do passado


Hoje, em plena quarentena, acordei, me enrolei, levantei, tomei café, me enrolei, tirei o pijama. Estava frio, então eu coloquei uma calça confortável e aquela blusa velha que já tinha sido dele. Foi aí que tudo começou.
Comecei uma faxina revolucionária no meu quarto. Joguei fora tudo o que eu podia, limpei gavetas, armários, caixas... E foi no fundo de uma delas que eu encontrei, embaixo do papel seda antigo, um bilhete dele, um bilhete que eu nunca tinha visto. Um bilhete que ele escondeu e que eu jamais encontrei. Um bilhete que dizia tão pouco e ao mesmo tempo, dizia tanto.
Um bilhete que veio do passado e só me encontrou no presente.
Eu não rasguei esse bilhete, foi ele que me rasgou.

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